Transformando dores em versos

Transformando dores em versos

Na minha mente? Uma obra que ninguém nunca viu, palavras incapazes de serem apagadas, de tão boas.

Na realidade? Só mais um texto igual aos outros, com frases muito diferentes do que eram em minha imaginação.

Minha mão, castigada por uma tendinite insistente, se recusa a mexer-se na superfície branca. Então, ela permanece branca, imóvel. Eu sei que tenho coisas para falar, mas não faço ideia de como dizê-las.

Elas rondam minha cabeça, piscando como um sinal vermelho de aviso; você precisa dizer. E me chamam na madrugada, gritando e implorando para deixarem de ser apenas pensamentos e transformarem-se em um grito de alívio.

Só que nunca saem, nunca se desintegram, pois de algum jeito, parece que por mais palavras e adjetivos que surjam em minha mente, nenhum deles é bom o suficiente para descrever o redemoinho que nela habita. Nenhum deles vai, de alguma forma, acalmar-me deste medo que é estar viva.

Talvez seja um Eufemismo. Talvez seja eu, suavizando a dor e a adaptando para ficar menos insuportável. Ou, talvez, seja só essa mente atormentada que todos artistas tem. A mente que tem sede de criar obras com suas próprias agonias e revertê-las em positividade para alguém no mundo.

 

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