Troncos Ocos e Fundos do Mar

Troncos Ocos e Fundos do Mar

Passou metade da existência atrás de quatro paredes

Ouviu falsos sons de sinos dando por confirmada a própria morte

Até cavar uma superfície e achar oxigênio.

A destruição prologou-se demais para ser ignorada

E acabou virando um grande estrago,

O pequeno diamante bruto que nunca poderia ser moldado.

 

Mergulhou em tantos oceanos, mas tantos…

Oceanos esses, que não pareciam ser tão rasos quanto eram.

Apesar de saber nadar afogou-se algumas vezes,

Quase perdendo a vida.

Prendeu-se em ervas daninhas sanguessugas

E quase foi devorada por tubarões.

Esta é a vida de quem quer ir ao fundo,

Em uma busca eterna por corações.

 

Manda cartas esperando que elas voltem,

Sorri com a expectativa de sorrirem também,

Equivocou-se imensamente a menina

Menina essa, que aguardava as cartas e sorrisos,

Onde frívolas e ocas almas habitam.

 

Poderia dar-lhe um remédio ou um apertado abraço,

Ainda latejaria,

Jorrando memórias e inúmeras palavras ao vento.

Aprendeu a não ir tão fundo,

Não distribuir tantos sorrisos

E nem esperar cartas de volta,

Assim como fechou suas portas para o mundo.

 

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Tumblr
Comments are closed.