Viva a vida

Viva a vida

Saia de casa, beba, fume, se drogue, faça sexo, conheça estranhos, ande de montanha russa e tenha um amor de verão, de inverno ou de todas as estações, se preferir. Viva.

É o que o tumblr diria. É, possivelmente, o que aquele seu amigo baladeiro lhe aconselharia. E provavelmente é o que mais se acha em frases feitas das redes sociais. Mas e então, já fez isso tudo? Garantiu que tenha vivido o suficiente antes de morrer? Como não?

Alguém já te falou que você não vive?

Essa é a vitrola dos tempos modernos, mas meus pais não a conhecem. No entanto, eu mesma, logo eu que amo palavras, já fui entediada por elas. Todas essas insípidas e vazias orações que enchem meus ouvidos. As que foram jogadas contra mim porque prefiro um livro a um copo de vodca. Acredite, não foi a primeira vez ou segunda e nem será a última.

Eles nos classificam com adjetivos como paradões, lerdos, sem graças, bichos do mato -são muitos nomes, fique à vontade para escavar um em sua mente.

Os justiceiros com várias experiências de vidas e memórias incríveis. São melhores que nós porque vomitaram no tapete e alguém filmou isso. Ficaram chapados e felizes. Fizeram sexo com alguém cujo o nome não se recordam… ou não sabem. Estamos desesperados, suas almas gritam, mas se recusam a dar-las atenção.  Querem fingir dar um propósito para sua existência enquanto estão ocupados enganando a si mesmos. Nos dizem que são felizes, mas se esforçam para realizar algo que nem lembrarão no dia seguinte. Viver? É sério?

Também existem os que julgam-se cultos, sentados no sofá com o bolso ou o núcleo de amizades vazio, enquanto escapam do mundo com personagens fictícios. Gritam, choram, sofrem e brigam por alguém que não existe. Um indivíduo que talvez seja mais humano do que os que os cercam. Saltam de páginas ou telas para abraçá-los em seus vazios existenciais, fazendo- os  esquecerem-se da falta de amor à vida que possuem.

E o que é certo? Eles gritam, divididos por uma parede. Carregam seus ideais em suas almas com o mesmo propósito; preenchê-la, enchê-la de algo que sua realidade, as pessoas ou eles mesmos não podem. Querem berrar que não sabem porque estão aqui, mas todos já sabem. E também não sabem que cada um decide o que é melhor. Vodca, livros, personagens, talvez tudo, só um ou nenhum deles. Ninguém está certo ou errado, apenas os que pensam que o seu ideal é o melhor e rebaixam os que não o seguem.

Cada um desses tem uma visão própria, salvo os que se deixam serem guiados por outras visões. Você olhará algumas, discordará e partirá para outras, mas sempre mantendo a sua própria. E quem não aprovar a paisagem que você escolheu manter, que saia fora e procura outra. E vice-versa, porque isso também vale pra você.

 

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  • Que legal! Essa perspectiva em relação a pessoas que curtem a vida de um modo mais “baladeiro” já pairava na minha mente há algum tempo. E o pensamento em relação aos que se julgam cultos vem me ocorrendo mais recentemente. Embora não me julgue assim, já me parece um exercício de autocrítica.

    • Oi Cássio, obrigada por se interessar pelo o que eu escrevi, agradeço muito. Bom, é pelo o mesmo pensamento que você tem que resolvi escrevi. Este texto serve pra mim, serve pras pessoas que me cercam e servem pra todos nós, aos julgarmos alguém por realizar coisas que as fazem sentirem-se felizes mas que não compreendemos. Serve pra mim porque também já me julguei mais culta, por isso sim, é um grande exercício de auto crítica.
      Emfim.. obrigada pelo o comentário!
      Volte sempre.
      Abraços

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