Vivendo em bolhas de ignorância

Vivendo em bolhas de ignorância

Em um dia de chuva, com as gotas escorrendo, apoiou a cabeça no vidro. Observou os prédios, o desenho deles e as linhas bem moldadas das construções. Viu também os arranha-céus e os arbustos em forma de bichinhos. Acompanhou pessoas com o olhar. Constatou que elas andam como formigas tentando juntar comida para o inverno e estão sempre correndo, brigando, gritando. Estão sempre com pressa. Tem tanta pressa que esquecem de olhar, deparar-se, importar-se.

Porém aqueles olhos viram. Viram moradores de rua desabrigados na chuva, cachorros que foram abandonados por donos que não se importam, vendedores ambulantes tentando ganhar a vida e driblar a oportunidade que lhes não foi dada, entregadores de panfletos que torcem para que alguém pegue seus papéis, pois assim como toda aquela gente que só está indo fazer o que é se necessário fazer, eles também estão.

Mas como todos outros, decidiu olhar pra frente, ignorar, seguir a vida. Era mais fácil esquecer, doer-se e sentir seu coração apertar, mas fingir que aquelas coisas não existiam. Seria duro demais conviver com aquilo e ter de aceitar que não pode fazer nada pra mudar, então diz a si que está tudo bem, não é culpa sua.

Porque ninguém se importa de verdade, eles só tornaram-se automatizados, robóticos, cabeças balançantes. Transformaram-se em soldados vazios que marcham em seus pequenos mundinhos cheios de problemas, esquecendo-se dos problemas bem maiores a sua volta.

 

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Tumblr
Comments are closed.